Diante da Tempestade

Amados, como é bom glorificar a Deus pelos seus atributos divinos. Como é bom louvar a Deus, por nos mostrar o quanto é bom e fiel! Como é bom quando questionamos Deus, e então vemos que é um Deus de aliança, um Deus de promessas, um Deus de resposta.

Nós, enquanto falamos de atributos da matéria, da carne, do homem que perece, somos pobres e necessitados. Pobres porque nada verdadeiramente nos pertence nesta terra, do pó viemos, para o pó retornaremos. Necessitados, de algo ou alguém que seja diferente do que somos, necessitados de um Deus, um Deus vivo, que liberta, que auxilia, que cuida. Por isso ó Deus meu, não te detenhas, eu preciso de ti.

Em meio a uma confusão de sentimentos e emoções, Deus me levou a fonte, a bíblia sagrada, me falando muito através de seu evangelho, livro de Mateus onde se lê:

E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram. E eis que se levantou no mar tão grande tempestade que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo. Os discípulos, pois, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Salva-nos, Senhor, que estamos perecendo. Ele lhes respondeu: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se grande bonança. E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem? (Mt 8:23-27)”

Mais do que tentando decifrar os mistérios da palavra do Senhor, mas ao contrário, buscando resposta para os meus sentimentos e emoções, meditei nesta palavra, e pela primeira vez, vi algo diferente nela. Costumava ver aquilo que, no mínimo, acredito que todos vêem, por uma questão óbvia, o texto conta isso, sobre homens de pequena fé, que mais uma vez, aprenderam com o Senhor, o que é ter fé na prática, e claro, o quanto Jesus Cristo era grande em poder e autoridade.

Mas o mesmo Cristo Jesus não levantou uma hipótese, mas afirmou que os discípulos não possuíam fé nem mesmo do tamanho de um grão de mostarda (Mt 17:20). Ainda no mesmo livro, Cristo mostrou que realmente somos assim, pois Pedro, novamente em um barco, atemorizado, vendo o mover sobrenatural de Jesus falhou ao tentar crer em seu coração, ao que o Senhor lhe respondeu: homem de pouca fé, por que duvidaste? (Mt 14:31b)

Portanto, percebemos que esta é uma realidade do homem, duvidamos quando estamos na carne, quando damos espaço para o nosso corpo falar mais alto que o espírito. Duvidamos quando nossa alma está aflita, angustiada, cansada, oprimida. E a velha novidade é que enquanto habitarmos neste mundo que não pertencemos, estaremos suscetíveis a tais sentimentos.

Aqui no texto em questão não diz, mas creio que posso supor um pouco a respeito dos sentimentos destes homens durante este episódio. Suponho que estavam em um barco de pesca, provavelmente sem uma grande estrutura. Talvez este barco fosse muito pequeno, com espaço para uns quinze homens. O texto diz que a tempestade era tão grande, que o barco era coberto pelas ondas. Este barco devia se remexer para todos os lados, demonstrando a grande possibilidade de virar, talvez caíssem de um lado para o outro lutando para ficarem de pés e tentar controlar o barco, evitar que virasse ou naufragasse. Alguns deles devem ter pensado que morreriam enquanto outros certamente questionavam, talvez com certa irritação, como em meio aquele remexe todo, o mestre dormia.

Foi então que, talvez este mesmo que se irritara, tenha tido a grande idéia de clamar ao mestre por socorro dizendo, de maneira apavorada: salva-nos, Senhor, que estamos perecendo!

Esta palavra começou a me mostrar que assim como aqueles homens de pequena fé, eu também necessito do Senhor Jesus. Esta passagem começa dizendo que o mestre entrou no barco, e os discípulos o seguiram. Este é o primeiro ponto. Você possivelmente navegará muitas vezes, em muitas direções, mas a primeira coisa que deverá ter certeza é de que Cristo está no mesmo barco que você, que está o seguindo. Todo o poder, e toda autoridade está em nosso Senhor Jesus Cristo, e sabemos que agindo Ele, quem impedirá? Ninguém. E ninguém quer dizer absolutamente nada. Quer dizer que nem a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada nos separará do amor de Cristo (Rm 8:35), pois em todas estas coisas somos mais que vencedores (Rm 8:37).

Isto tudo quer dizer segurança, e é a única que podemos verdadeiramente ter. E é necessário ter consciência disso. Ter consciência que este mesmo Cristo ainda vive, e ainda está no mesmo barco que estamos, visto que temos o seguido. Saber que Ele está no controle, mesmo quando na aparência, Ele dorme. Digo aparência pois a palavra de Deus nos ensina que Ele não dorme mas trabalha dia e noite a nosso favor.

O segundo ponto que vejo é que eles reconheceram esta necessidade. Reconheceram que são pobres e necessitados, e que o Senhor é o nosso auxílio e nosso libertador. Precisamos reconhecer nossos momentos de fragilidade e entregar isso na presença do Senhor.

O terceiro e penúltimo ponto é aproximar do Senhor Jesus. Aqueles homens estavam no mesmo meio que o Cristo estava, mas nem por isto estavam próximos, mas ao contrário, por estarem atribulados, com foco na tempestade, estavam distantes do mestre. Foi necessário, após reconhecer esta necessidade, se aproximar do Senhor, entrar em sua presença. Cristo já nos deu o conhecimento, sua palavra divina, já nos deu liberdade de comunhão e intimidade, precisamos pois usufruir desta comunhão.

É justamente usufruindo desta liberdade de comunhão com o verdadeiro Cristo, que chegamos ao último ponto. Declare sua necessidade dizendo estamos perecendo, e clamando Salva-nos, Senhor!

Aqui observo um detalhe importante que gostaria de tocar. Estes homens tinham um problema, estavam passando por uma situação que não conseguiam resolver por si mesmos. Porém eles não se achegaram a Jesus com algumas opções na mão pedindo ao Senhor para resolver o problema fazendo isto ou aquilo. É interessante grifar isto visto que muitas vezes na presença de Deus, pedimos que faça assim ou assado para resolver um problema que temos. Ouvimos muito na igreja falando que se nós colocamos a nossa mão, Deus tira a dEle, pois é necessário entrega. Se não entregamos, Deus permite o conflito até reconhecermos a necessidade dEle. Aprendamos pois com esta passagem bíblica e entreguemos nossos problemas, nossas fraquezas e situações adversas ao Senhor, e deixemos Ele agir conforme a sua vontade. Por acaso, nós que não conseguimos, ensinaremos a aquele que nos prestará socorro?

Sabemos hoje que, este barco é espiritual, e entramos na presença do nosso Senhor Jesus orando. Ao dobrar o joelhinho e entrar na presença dEle, reconheça a sua necessidade, apresenta ao Senhor, e clame! Aproxime-se dEle, não deixe que as dificuldades e conturbações desta vida afaste você mesmo da santa presença do Senhor. Pois Ele continuará ao seu lado, mas se não estiver com o foco em Deus, dificilmente verá algum movimento, para ti será como aquEle que simplesmente dorme.

E a palavra diz que primeiramente o Senhor mostra o ponto que trouxe o desespero, o sentimento de incapacidade, mostra aquilo que precisa ser trabalhado naquelas vidas para poderem crescer diante de sua graça. Logo após, repreendeu tudo aquilo que os perturbava, tudo, e houve então grande bonança. Todos maravilharam-se, e declararam quão grande era e é o Senhor, Cristo Jesus.

É para isto que passamos por estes momentos. Para crescimento, para que alcancemos aquilo que almejamos, mas também para que a glória seja toda dEle! Deus é perfeito, sua obra glorifica o teu santo nome, mas também acolhe nossas aflições, e nos traz aquilo que queremos e precisamos.

Por isso Senhor, eu, na verdade, sou pobre e necessitado, mas o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó Deus meu (Sl 40:17). Não te detenhas…

Texto Bíblico: Almeida Atualizada

Ricardo de Magalhães Cruz (28 de abril de 2008)
ricardo.dmc@gmail.com

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