Amai sua esposa!

Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela (Ef 5:25)”

Imperativo. Assim foi o recado que o apóstolo Paulo deixou aos homens, servos de Cristo Jesus. Não disse que deve, mas disse, amai!

Hoje busquei um pequeno estudo, talvez não tão aprofundado como gostaria, para falar aos homens cristãos deste Brasil, a começar de mim mesmo! Como nós, homens casados, de baixo da graça de Deus precisamos meditar a respeito de tais coisas. Para quem se encaixa neste perfil saiba: tua mulher é uma prioridade em sua vida! Hein? Não deveria ser Cristo? São muitas perguntas, não é mesmo? Voltemos pois ao início de tudo.

No Livro de Genesis, capítulo 2, fala como o homem foi criado: do pó da terra. Mas como era mais do que terra, visto que foi feito a imagem e semelhança de Deus e que ainda lhe soprou fôlego de vida em suas narinas, nosso Pai formou um jardim no Éden e pôs ali o homem. Disse então que poderia usufruir de toda aquela terra, de todas as árvores, excluindo a do conhecimento do bem e do mau, e que lhe faria uma ajudadora. Então fez todos os animais, na qual Adão colocou nome em todos, mas não achou ali ajudadora idônea. Então o Senhor fez a partir de sua própria criação, a mulher, esta sim seria uma ajudadora idônea.

O homem foi feito para uma vida, cuja história foi escrita por Deus, e cujo o seu caminhar, deveria ter alguém para compartilhar: a mulher. É então que “alguns” aninhos depois, Salomão em seu livro, onde expôs a sabedoria que lhe foi dada por parte de Deus, Provérbios, diz:

“Quem encontra uma esposa acha uma coisa boa; e alcança o favor do Senhor (18:22).”

Encontra na mulher nada mais, nada menos, do que o melhor que podemos alcançar do Senhor, o seu favor. E este favor, especificamente, trata daquilo que o Senhor já havia pensado para o homem, após tê-lo criado, mas antes do pecado ter entrado no mundo.

Porém o pecado adentrou ao mundo, através do poder da língua, utilizado primeiro pela serpente, e após, pela mulher. E desde então, este princípio continuou atuando em nossas vidas. E a mesma língua que tem poder para abençoar, tem poder para amaldiçoar. É por isto que Salomão, um versículo antes, trata a respeito:

“A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto (18:21).”

Então vamos recapitular. O homem que encontra uma esposa, foi agraciado por Deus. Parafraseando, podemos dizer que a mulher é uma benção na vida de qualquer homem. Será dali por diante, acrescentado vida em seus dias. Mas juntamente com esta benção, veio também a necessidade de vigiar todo o tempo, porque assim como Adão caiu e pecou, homens e mulheres hoje caem por não vigiarem.

E como este texto é dedicado aos homens, acredito que todos conhecem na prática o que a língua de uma esposa pode fazer aos nossos corações, ela é um fogo; sim, a língua, qual mundo de iniqüidade, colocada entre os nossos membros, contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, sendo por sua vez inflamada pelo inferno. … mas a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal (Ti 3:6,8). Também por isto é que Paulo ordenou a nós homens: amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja.

Aqui o apóstolo mostrou o caminho dos maridos, mas também complicou de vez nossa vida. Porque eu acredito que não exista nada mais difícil que poderia ser proposto a um homem, quanto mais ordenado. Mas aqui é o conselho sábio de um homem que foi usado para nos falar o que Deus assim quis, que nós amemos verdadeiramente nossas esposas.

Sabemos que Cristo, cheio do Espírito Santo (Lc 4:1), possuia todos os frutos do espírito (Gl 5:22-23) e rejeitou todos as obras da carne (Gl 5:19-21), e foi assim que amou a igreja. Nós homens, para amarmos nossas esposas assim como nos foi indicado, precisamos cultivar estes frutos espirituais militando e vencendo as obras da carne. Em outras palavras precisamos ter amor no lugar de inimizades ou contendas; longanimidade, paz, mansidão, domínio próprio no lugar de iras, ciúmes, facções, dissenções. Acho que é nisto que pensamos quando meditamos sobre o conselho de Paulo, pelo menos eu via desta maneira até que Deus me deu um outro entendimento.

Na verdade, definiria melhor como analisar outro ponto do versículo tão importante. Ali há referência à igreja, e esta referência é no que diz respeito a compará-la a mulher. Ou seja, vamos entender o que era e ainda é a igreja, e então entenderemos a mulher.

Dentro desta comparação, acho que podemos separar o tempo em que Cristo viveu conosco, e o tempo de sua ressurreição aos dias de hoje. Para ficar mais fácil nossa reflexão, vamos analisar Cristo enquanto ainda pisava com pés carnais esta terra que hoje também pisamos.

Para tanto, nada melhor do que analisar a igreja simbolizada pelos discípulos de Cristo. Eles estavam juntos com o Senhor desde que foram chamados, vivendo cada dia aprendendo, discutindo, questionando, tendo intimidade com o Filho do homem. Foram eles os designados para cumprir a obra do Pai. Eles que saíram para curar, para expulsar demônios, para levar a palavra de Deus.

Mas também foram estes mesmos que tiveram a oportunidade de ferir no mais profundo ao Senhor. Foram eles que duvidaram da obra redentora, da ressureição, que traíram ao nosso Cristo. Imagine a dor que não foi causada em Jesus quando Pedro, aquele que reconhecera e pronunciara que era Jesus o Cristo, o negara pela terceira vez.

Pedro não era qualquer um, não era um daqueles que estava dia após dia tentando derrubá-lo, se livrar de Jesus. Pedro era aquele que Jesus escolheu para ser pescador de homens. Para ser o líder da igreja após a sua ida ao Pai. Foi este mesmo homem que traiu ao Senhor negando-o não somente uma ou duas vezes, mas três.

Pedro fazia parte da igreja, Pedro era a igreja. E a igreja é comparada a mulher. E foi a Pedro que Jesus amou. A esta igreja, Jesus amou. Não sei se estão conseguindo me entender, mas o que estou querendo dizer é que Cristo amou e ama a igreja que era e ainda é cheia de pecados, e que vacilou e vai continuar vacilando com Cristo até o dia em que seremos glorificados. Cristo amou a Pedro. E Paulo diz o mesmo para nós, que venhamos a amar a nossa esposa assim como Cristo amou a igreja, ou a Pedro. Que nós amemos nossas esposas mesmo que vacilem contra nós, mesmo que sejam contra os planos que o Senhor nos deu. Mesmo que não aceitem que somos cabeças, assim como Judas não aceitou que Cristo era o Cabeça. Judas foi criado naquelas terras. Judas esperava por um messias que levantasse um grande exército e invadisse aquele lugar com poder e glória, e instalasse ali um novo império. E quando viu a Cristo, aquele homem simples e pacato, viveu um conflito imenso até o dia em que Satanás aproveitou e entrou nele (Lc 22:3). A este traidor, Cristo também perdoou. Ou não lembram o que Jesus disse antes de entregar sua vida? Jesus, porém, dizia: Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem (Lc 23:34a). Jesus o perdoou, apesar de saber que este homem não conseguiria viver com ele mesmo após seu feito.

Esta era a igreja. E como é sua esposa? Ela te questiona? Não aceita a submissão? Ela questiona a obra de Deus em sua vida? Com a língua fere sua alma? Te nega? Já te traiu? Porque até mesmo nessas condições Cristo amou a igreja. Mas Cristo não a amou para que continuasse da mesma maneira, muito pelo contrário. Cristo pagou preço, que foi o maior preço que alguém poderia pagar por outro, preço de sangue.

Aquele que era o cabeça, que era Deus, o que fez?

Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz (Fp 2:5-8)”

Nos deu exemplo. Nos ensinou que o governante seja como aquele que serve (Lc 22:26). Por isso veio em forma de servo, mesmo sendo Deus. Se humilhou a si mesmo, abedecendo aquilo que o Pai determinou até o fim, até a morte na cruz do calvário. Pagou preço! E mais do que merecido, diz a palavra que:

“Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai (Fp 2:9-11).”

Deus o exaltou! Deus o honrou! O preço que Cristo pagou valeu a pena! E o melhor, valeu a pena para Ele, e para nós. Assim o homem deve ser com sua esposa, um líder que ao tomar suas escolhas, escolhe o que é melhor para ela, porque o que acontecerá é responsabilidade dele, e por amor, queremos o que é o melhor. Assim foi a vontade de Deus, que é boa, agradável e perfeita, quis o melhor para nós, quis que através do sacrifício vivo do verbo que se fez carne, nós retornássemos a ter livre acesso ao Pai, retornássemos a ter aquilo que nos foi roubado lá atrás.

A serpente anda tocando em seu casamento? Algo lhe foi roubado? Paga preço! E este preço está em amar a sua esposa, assim como Cristo amou a igreja. Veja bem o que acabamos de ver, Cristo pagou preço, mas também Deus o honrou, e assim Deus também vai te honrar, e onde há morte em seu casamento, haverá vida, e vida em abundância. Você será varão honrado, ou será ainda mais do que já é, assim como Deus planejou que você fosse.

Lembrem-se que foi uma mulher que teve o papel de ungir a Cristo para tudo aquilo que Ele havia de passar, foi ela que derramou sobre sua cabeça o bálsamo de nardo puro, de grande preço (Mt 26:6-7). Este é o papel da mulher, de preparar o homem para cumprir aquilo que está destinado a fazer. Elas foram capazes de preparar o nosso grande mestre, não será capaz de cumprir o que está preparado que se cumpra em nossas vidas? A palavra diz que foi grande o valor, o preço. Durante toda a vida, este preço é pago por nossas esposas. Paguemos pois o nosso preço.

É deste vaso frágil que Pedro nos fala em sua primeira epístola, vaso frágil que amamos, e que devemos amar, acima do que pensamos ou achamos, dando honra e como herdeiras conosco da graça da vida (1Pe 3:7).

E para concluir, quero responder a pergunta que fiz lá no início. A mulher deve ser prioridade em nossas vidas? A resposta é sim. E isto vale também para as mulheres.

Na primeira carta de Paulo a seu filho na fé Timóteo, é dito que se alguém não cuida dos seus, e especialmente dos da sua família, tem negado a fé (5:8). Bom, mas isto não quer dizer que seja a frente de Cristo. É verdade, porém Paulo já havia dito na primeira epístola que enviou a igreja de Corinto que:

Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor, mas quem é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar a sua mulher, e está dividido (1Co 7:32b-34a).

É aqui que Paulo deixa claro que aquele que quer se dedicar a obra do Senhor na excelência que o homem pode alcançar, não deve se casar. Mas o casamento é também o que Deus separou para nós, e tem nos dado condição de sabedoria e discernimento através de seu Santo Espírito. Basta que o busquemos, e saberemos ser bons maridos, teremos nossa casa organizada e então aptos para servi-lo e a certeza de que nossas orações estão subindo ao Pai e que somos ouvidos. Saberemos e poderemos ser imitadores de Jesus.

E então, aprendeu um pouco do que Cristo quis nos dizer sobre amor? Então cumpra esta ordem: amai! Amai vossa esposa!

Texto Bíblico: Almeida Atualizada (1967)

Ricardo Magalhães (23 de abril de 2008)
ricardo.dmc@gmail.com

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2 comentários sobre “Amai sua esposa!

  1. AGORA, A POLIGAMIA
    Postado no Setembro 8, 2008 de V.N.M.S

    Onde passa um boi, passa uma boiada. Esse é o adágio popular. Na sociedade isso também acontece. Estou convencido disso. Tire a tramela que segura os pequenos valores sociais e verá que rapidamente outras condutas nefastas virão logo atrás.

    Na semana que passou fiquei ainda mais ciente dessa verdade. Durante aula de Mestrado em Estudos da Cultura Contemporânea da UFMT, do qual participo como aluno especial, fiquei sabendo que no Canadá corre um forte movimento de pessoas reivindicando a liberação da poligamia, ou seja, o casamento com mais de um cônjuge. Algumas cidades foram transformadas em verdadeiras comunidades de polígamos, recebendo famílias pluri-conjugais de vários países, principalmente muçulmanos do Oriente e mórmons dos Estados Unidos, apesar da legislação vigente proibir tal prática (mas não é aplicada).

    Segundo nossa professora, que lá esteve, o motivo do pedido é bem simples. Para os defensores desse movimento, a liberação (ou a descriminalização) da poligamia é uma questão de justiça e de igualmente em referência aos homossexuais, isso porque recentemente foi aprovado no país a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ele argumentam: “Se é permitido o casamento entre pessoas do mesmo sexo, por que não é possível o casamento com mais de um cônjuge?”.

    Em tese, os legisladores do Canadá não possuem qualquer resposta plausível para apresentar àqueles que fazem apologia à poligamia, pois, eles próprios retiraram os referenciais de certo e de errado no que se refere ao casamento. Ele abriram as portas para o boi, agora, terão que suportar a boiada. Retiraram a tramela, agora, terão que arcar com as conseqüências. Esse é o problema do relativismo moral. Ele manda bala em todos os absolutos éticos que deveriam nortear o relacionamento humano, e, quando isso acontece, resultados prejudiciais acontecerão. Como escreveu Francis Schaeffer, “Quando a sociedade não aceita nenhum tipo de absoluto, o único absoluto é a própria sociedade”. Essa é a parte da história que a sociedade pós-moderna não quer ver. Ela quer cada vez mais liberdade, mas não aceita as conseqüências. Ela tolera o relativismo sexual, mas não suporta a quantidade de problemas que isso tem provocado.

    Após o casamento entre o homossexuais, a poligamia deverá ser o novo “direito” a ser reivindicado pela sociedade. Após, o aborto de anencéfalos, o aborto de qualquer tipo de criança será o novo pedido. Assim caminha a humanidade. Abra uma porta, e chore as conseqüências. Por isso o conselho bíblico: “Não remova os limites que foram postos pelos nossos pais” (Pv. 22.28).

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