Os novos e antigos pecados capitais

“Queridos, saiu no seguinte site Zenit a explicação de que isto não é uma publicação do vaticano e sim a opinião do bispo citado abaixo, segue o link para íntegra:
http://www.zenit.org/article-17840?l=portuguese
De qualquer maneira, o artigo continua, visto que abrange muito mais do que simplesmente os novos pecados, como a questão do pecado capital, os sacramentos, etc. Lembrem-se que foi escrito antes do esclarecimento. Abraços.”

Nesta semana, os jornais começaram a anunciar a lista dos novos pecados capitais divulgados pelo Vaticano. Após perceberem que os sete pecados capitais estavam ficando comuns demais, foi apresentada novos motivos de condenação pela Santa Sé. A pretensão do Vaticano é que era necessário adaptar esta lista à nova realidade global.

Os chamados sete capitais são a gula, luxúria, avareza, ira, soberba, vaidade e preguiça. Agora, na lista dos atuais treze pecados capitais, foram acrescentados o uso das drogas, a modificação genética, poluir o meio ambiente, causar injustiça social, causar pobreza e por último, com certeza o mais polêmico, tornar-se extremamente rico.

O responsável pelo tribunal da Cúria Romana, o arcebispo que trata dos assuntos internos do vaticano, monsenhor Gianfranco Girotti diz que “A desigualdade social, onde os ricos se tornam cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres, alimentam uma insuportável injustiça social”. Em entrevista ao jornal do papa, Osservatore Romano, recordou que entre os grandes pecados estão o aborto e a pedofilia e comentou o escândalo dos abusos sexuais cometidos por padres.

Segundo avaliação do prelado, a injustiça social e os crimes ambientais também estão na lista das novas ofensas pelas quais os fiéis devem pedir perdão e fazer o sacramento da penitência, segundo padrões da igreja Católica, na qual o clérigo discorre como “Confissão em 15 ou máximo 20 dias antes ou depois de cometer o pecado, comunhão, oração segundo as intenções do papa, pureza e caridade”.

Estudo da Universidade Católica de Milão revela que 60% dos fiéis católicos na Itália deixaram de se confessar. Mostra ainda que 20% dos católicos italianos sentem-se desconfortáveis em relatar os seus próprios pecados a outros.

Após ler tudo isto, entre tantas outras coisas, fico realmente pensando qual é o padrão que a referida instituição religiosa adota para defender os seus interesses. Porque na minha visão, teológicos não são. Gostaria de fazer um paralelo entre o que foi dito até então, e o que a bíblia sagrada diz. Falo isto, visto que todos nós temos opiniões particulares com relação as questões sociais, mas uma instituição, auto-intitulada como a única e verdadeiramente Cristã, deve tratar e ser fundamentada sempre no quis diz o Cristianismo.

Com o decorrer do tempo, passamos a observar que começou a haver uma diferenciação entre os pecados pela referida igreja, é como se existissem pecadinhos e pecadões. Estes maiores, dignos de condenação, caso o indivíduo não passe por determinados ritos, passaram a ser chamados de pecados capitais.

João, em sua primeira epístola, nos fala sobre pecado que é para a morte, e que não é para morte (1Jo 5:16-17). O pecado que é para a morte, seria o pecado daquele que foi lavado e remido pelo sangue de Jesus, a pós conhecer verdadeiramente ao Senhor e o seu Espírito Santo, negar a Cristo e a sua obra, blasfemar contra o seu Espírito (Cf Hb: 6:4-8, 10:26-31 ;Mc: 3:29).

Vejamos um pouco mais sobre os pecados não globalizados. Paulo em sua carta aos Romanos, fala que tem prazer na lei de Deus, mas em seus membros vê a batalha contra o seu entendimento que o leva cativo a lei do pecado. Portanto, não é mais ele quem peca, mas sim a sua carne, na qual habita o pecado (Rm 7:17-23). É por isto, que na sua carta aos membros da igreja da Galácia, cita as obras da carne, ou os pecados que nela habitam, que são: Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus (Gl 5:20-21). Aqui encontramos alguns dos supracitados, gula, luxúria e ira, mas por que os outros, como pecados capitais não foram citados? Acaso o apóstolo os desconheceria? Jesus também falou sobre o que contamina o homem, entre eles a avareza, soberba, que procedem de dentro, mais uma vez, da carne (Mc 7:22), mas e quanto aos furtos, dissolução, inveja, blasfêmia, loucura decorridos dentro do mesmo versículo? Jesus condenou especificamente a avareza (Lc 12:15), mas se Paulo comparou-a com prostituição, e também iniquidade, malícia, maldade, homicídio, contenda, engano, malignidade (Ef 5:3; Rm 1:29), como também a idolatria (Colossenses 3:5), onde estão estes nesta lista? Aliás, não vemos tratar de idolatria de forma alguma, engraçado não?

Para falar dos então novos pecados capitais, gostaria de me atentar somente ao mais polêmico deles: tornar-se extremamente rico. Vem cá, por acaso o Vaticano ainda é o estado mais rico do mundo?

Partindo para as escrituras sagradas, inicialmente, Cristo nos ensina que não devemos nos preocupar com nossas necessidades básicas, visto que o Pai conhece todas e com certeza nos suprirá (Mt 6:31-33). Temos também no antigo testamento, promessas de prosperidade sem fim, inclusive financeira (Dt 28:1-14). Mas lembramos que hoje não vivemos segundo esta aliança, pois em Cristo, não vivemos mais conforme a lei mas sim de acordo com a nova aliança, mediante a fé. Se assim o fosse, todo cristão seria absurdamente rico, porém, eu não vejo esta realidade por aí.

Mas Deus criou tanto a prosperidade como a adversidade, e diz que no dia da prosperidade é para nos regozijarmos (Ec 7:14). Há também palavra de prosperidade àqueles que amam a Deus como nos salmos (Sl 112:3; 122:6-7). Mas tudo isto não quer dizer também que Deus não tenha planos específicos aos homens, inclusive o de instituir ministros da caridade por exemplo. O que falar a respeito de Jó? Ele foi provado, e tudo lhe foi tirado, mas chegou o dia em que Deus o restituiu, e a pergunta é, como Deus o restituiu? A palavra de Deus diz que lhe foi restituído em dobro. Diz que foi abençoado em seu último estado, teve em abundância (Jó 42: 10-12). O que dizer de José? Deus permitiu que dele fosse tudo tomado e vivesse de cativeiro em cativeiro, mas também aprouve a Deus dar toda a riqueza a ele através de Faraó, tomado como segundo desta terra (cf Gn 41:38-42; 45:8-9,18,20), permitindo ser também homem generoso e ajudar inclusive aqueles que antes o lançaram no buraco. Adversidade e prosperidade. Podemos ainda falar de Abraão, Daniel, Davi, Saul, as mulheres discípulas de Jesus ou ainda de um homem rico, chamado José, da cidade de Arimatéia. Foi devido a este homem, que havia recém terminado o seu próprio túmulo, um belo sepulcro em meio a um jardim, cavado na rocha, que Jesus pode ser sepultado, ao qual está aí até hoje como testemunho para a ressurreição de Cristo… Plano de Deus… Para fechar, não poderíamos deixar de falar de Salomão que foi abençoado em abundância por Deus, chegando a ser extremamente rico, também por promessa de Deus (cf 1Rs 3:13; 10:7,14-29), como nenhum outro fora até então, ou porque não dizer após.

Queridos, na bíblia lemos o seguinte versículo: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se transpassaram a si mesmos com muitas dores” (1Tm 6:10). Aqui está claro, não o pecado, mas o conselho para termos uma vida na presença de Deus e fugir do pecado. Aqui diz que não o dinheiro, mas o amor e apego que temos pelo dinheiro, isto porque é uma forma de idolatria, colocamos esse amor acima do amor que temos por Deus e suas coisas, ao verdadeiro tesouro da vida vindoura. Logo, obviamente nos desviamos da fé. Deus quer nos ensinar a ser dependentes dEle, mas não necessariamente ele vai tirar a riqueza de todos ou deixar de dá-la de acordo com a tua vontade.

Portanto, se Deus assim quis e fez, não seria Ele mesmo a ir contra ao caminho certo. Porque injustiça e diferenças sociais não começaram hoje, mas sempre existiram. Nas escrituras temos diversos exemplos de como podemos ajudar e exercermos o papel de cristão. Não há necessidade de ficarmos pobres, ou somente pouco ricos. Lembremos que a passagem sobre o jovem rico (Mc 10:17-26), mais uma vez, trata-se daquele que amou mais o dinheiro do que a Deus, por isto aí teve sua provação. Há uma diferença enorme em dizer “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!” (Mc 10:23) e tornar a riqueza um pecado… capital.

Acho interessante também comentar a respeito do escândalo dos abusos sexuais cometidos por padres, mas não ter entrado como um pecado capital. Todo e qualquer tipo de abuso sexual já é considerado como um dos piores pecados, não por ser um pecado maior, mas pelas grandes consequências físicas e espirituais que gera, e também por ser um dos mais difíceis de serem libertos, quanto mais como abuso a crianças, e ainda por um sacerdote de Deus, independente de ser padre, pastor, bispo, papa, apóstolo, reverendo. Mas não estou aqui para me contradizer, a bíblia diz que “E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas,havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Cl 2:13-14). Acredito que precisam conhecer Jesus, precisa conhecer a sua obra realizada lá no calvário, não só para ter remissão de seus pecados, mas para receber o Espírito de Deus, que nos permite vencer todo o pecado! É saber que nem a nudez, nem qualquer outro perigo nos separará (ou seja, após unidos) do amor de Cristo, pois já somos mais que vencedores, por aquele que nos amou (Rm 8:35-37).

O Vaticano, Cúria Romana, Santa Sé, Prelado, Papa, Arcebispo, Monsenhor, Clérigo, ou o que for, me desculpe expor o que entendo da bíblia, mas dentro de um contexto teológico-religioso, não necessitamos de homens ou sacerdotes dizendo a que devemos confessar conforme o que pensam, lembrando que Jesus nos disse que convinha que Ele fosse para que viesse o nosso Consolador, e que viria para convencer o mundo do pecado, justiça e juízo (Jo 16:7-8). O mundo precisa de Cristo, é nEle que receberão a vitória sobre os seus pecados, e aos cristãos italianos, talvez ainda falte o selo de confirmação de Deus sobre sua adoção através do batismo com o Espírito Santo. Isto sim, fará eles ficarem absurdamente incomodados com o pecado, pois para eles, o salário destas ações passará a ser morte (Rm 6:23).

Quanto ao sacramento de Confissão em 15 ou máximo 20 dias antes ou depois de cometer o pecado, comunhão, oração segundo as intenções do papa, pureza e caridade, eu realmente fico por alguns instantes chocado ao ler isso. Você dizer que a pessoa vai confessar dias antes de cometer o pecado e terá sido pago é pior que cartão de crédito. Totalmente diferente do papel que Cristo fez, ao ser nosso fiador (Hb 7:22), o único que poderia fazê-lo. Foi um sacrifício puro e perfeito para manifestar a graça de Deus sobre nós. A bíblia diz que se confessarmos nossos pecados e (esta conjunção tem ideia de soma) o abandonarmos, Deus é misericordioso para nos perdoar (Pv 28:13). Logo, se confessa antes de fazer, condenado já está.

Hoje, segundo a nova aliança em Cristo Jesus, que se fez maldito na cruz por nós (Dt 21:23), temos a remissão de nossos pecados pela obra redentora e salvívica de Cristo, pelo derramar do sangue puro do cordeiro (1Pe 1:19), através daquele que não conheceu pecado mas se fez pecado por nós (2Co 5:21), que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz (Fp 2:6-8). O papa pode ter as melhores intenções do mundo, mas para salvação não significa nada. Aliás, como diz o dito popular, de boas intenções o inferno está cheio. Quanto a caridade, vejo que precisamos de muito estudo… Longe de espiar pecados, esta como obra, pode ser consumação da fé. E através da fé, esta sim, em Cristo, temos remissão dos pecados. Aqui cabe um estudo só para esta questão.

Como já dizia Paulo, “… se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos” (Rm 5:15).

Concluo dizendo que na primeira carta de Paulo a seu filho na fé, Timóteo, relata que o Espírito Santo já dizia que nos últimos tempos muitos apostatariam da fé, tendo cauterizada sua própria consciência (1Tm 4:1-2). Indicar condutas inoportunas, desigualdades sociais, prejuízos globalizados, entre outros, não afetarão as mentes que já estão cauterizadas. Hoje tudo é normal, não tem aquela frase “Ah, todo mundo faz”? Precisamos pregar o único caminho, esta é a obra que os sacerdotes devem realizar. Rememorar que o verdadeiro pecado capital é somente um, aquele que verdadeiramente não nos leva a salvação, portanto, condena, que é o pecado de não aceitar a Jesus Cristo como Senhor e Salvador, autor e consumador da fé, autor e consumador de nossa salvação.

Ricardo de Magalhães Cruz (12/03/2008)
ricardo.dmc@gmail.com

Fontes e trechos de:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/03/080310_novopecado_np.shtml

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/03/10/vaticano_divulga_lista_de_novos_pecados_capitais-426159259.asp

Textos Bíblicos: Almeida Atualizada e Almeida Corrigida e Fiel

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